quinta-feira, 28 de abril de 2016

AMOR À SENZALA

     
                                                         Reinaldo Lobo*

       Há um desejo secreto de boa parte da sociedade brasileira de se submeter, suponho, ao autoritarismo. Devemos encarar a existência desse estranho fenômeno. Assim como nos parece absurdo o masoquismo nos indivíduos é bem esquisita a submissão voluntária de um povo. No entanto, existe.
       Será uma nostalgia de nosso passado escravocrata? O mandonismo atrai. Não é raro lermos comentários de colunistas e até de alguns políticos conhecidos pedindo com frequência decisões firmes das autoridades e mais repressão policial. Podemos dar um desconto para aqueles que estão assustados com a criminalidade e com um certo caos administrativo que parece fazer parte da cultura brasileira. Também devemos excluir os fascistas e os velhos comunistas da “linha dura”, pois esses são por natureza autoritários, quando não amantes do totalitarismo.
      A questão é o povo, ou uma parte dele, que aceita submeter-se a uma elite política e empresarial frequentemente inepta e corrupta. Pior, parece querer mais disso, apesar dos protestos recentes.  Gosta dos salvadores, da “lei e da ordem” e das soluções de “machos” latino-americanos de vários tipos. Desconfio que essa considerável fração do povo prefere os da direita.
     Não é mero acaso o sucesso de personagens públicos como Jair Bolsonaro, de panfletários como Olavo de Carvalho e aquele Azevedo, da Folha e da Veja. Todos se anunciam rebeldes, insurgentes contra a “hegemonia cultural marxista”, mas não escondem que defendem, ao fim e ao cabo, a permanência de valores e das hierarquias mais tradicionais na sociedade e na política.
     Alguns deles nem chegaram ao espirito democrático da Revolução Francesa de 1789. No entanto, têm a admiração confessa de setores significativos da classe média revoltada com o período nacional-distributivista dos governos Lula e Dilma.
       A servidão voluntária fascina quem busca ou se acostuma à “proteção” e à “segurança” dos regimes autoritários. Boa parte do que temos hoje é resquício dos mais de 20 anos de ditadura civil-militar. Não duvidem disso.
      O elogio feito pelo deputado Bolsonaro a um notório torturador do período ditatorial, associando seu voto contra quem foi vítima da tortura, Dilma, ao nome do major torturador Ustra, só foi possível porque existem hoje as condições subjetivas e objetivas para um tal link. O que “legitima” a fluência do seu discurso fascista é o conluio antigo na nossa sociedade entre os que mandam e os que obedecem.
     O grande acordo dos vários setores da oligarquia, que impôs a anistia dos torturadores da ditadura, tem a mesma origem do acordo que se trama agora para colocar Michel Temer na Presidência, sempre em nome da conciliação, da estabilidade e da paz social.
      O mais grave é que surgiu uma paixão de direita entre nós: o desejo de obedecer e de se conformar. A revolta contra a corrupção, que postulo ser na verdade uma indignação superficial contra a revelação da corrupção, esconde um anseio de que tudo volte ao “normal”, isto é, que a sociedade volte à condição hierárquica tradicional e as mazelas não apareçam de forma tão transparente, com seus conflitos de classe e a sua podridão.
       A militância que surgiu à direita não é propriamente um engajamento político duradouro, mas uma explosão de indignação destinada a recolocar “cada macaco no seu galho”.
      A aceitação de um político de estilo tradicional como Michel Temer na chefia do governo, independentemente das suspeitas que pairam de estar no mesmo esquema de corrupção exposto pela “Lava Jato”, mostram que o objetivo das manifestações anticorrupção era só expelir o elemento estranho, o petismo, da ordem estável da política e, se possível, da sociedade.
      A submissão voluntária ao autoritarismo não se restringe aos 10 por cento dos que votariam no deputado Bolsonaro para a presidência. Não se enganem quanto a isso. A vergonha impede as pessoas de assumirem uma identidade autoritária, pois o discurso ideológico brasileiro apresenta-se como “liberal”.
      Um grande número dos participantes das passeatas dominicais festejadas e estimuladas pela rede Globo para servirem como a introdução ao impeachment, revelaram em pesquisas qualitativas que aceitariam uma intervenção militar para “pôr ordem na casa”. Muitos querem a exclusão dos políticos e a entrega do poder a “forças neutras” que possam promover a “limpeza” do País. O ideal varia: ou um militar e ou um juiz.
    É interessante observar que uma das acusações ao petismo, frequentes nas passeatas, era a de querer implantar um regime autoritário bolivariano ou cubano. Ao mesmo tempo, os manifestantes pediam um regime autoritário de direita, ainda que temporário, a fim de repor a “normalidade” das coisas.
    A própria trajetória do circo do impeachment, que agora tem até musas de beleza inspiradoras, segue um traçado de cooptações, traições e métodos subterrâneos de ação próprias da política tradicional brasileira, calcada no clientelismo. O PMDB tem sido um campeão dessa fórmula, ainda que não seja o único.
     O acordo entre os “de cima” que prevaleceu na redemocratização do País, anistiando os torturadores, na eleição indireta de Tancredo Neves, na entrada sem voto de Sarney e, agora, na fórmula do impeachment imposta por um Congresso submisso e corrupto, dirigido na Câmara pelo político mais rejeitado de todos, o célebre Cunha, está sendo aceito passivamente pelos “de baixo”, isto é, a parte do povo cuja identificação de pertencimento ao sistema a torna automaticamente engajada na busca da lei e da ordem. São os admiradores da PM e da repressão ao crime, e até o público dos programas sensacionalistas daqueles repórteres-policiais da TV.

       O Brasil continua a ser, infelizmente, o País cujos revoltados voltam à senzala, como aqueles escravos libertos pela primeira revolução democrática negra das Américas e do mundo, a revolução haitiana liderada por Touissaint Louverture, em 1791. Os revoltosos voltavam às fazendas e aos seus antigos donos logo depois da proclamação do fim da escravidão. Tinham medo e não sabiam o que fazer com a liberdade. 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O QUE HOUVE EM 2013

  

                                                         Reinaldo Lobo*

      A democracia liberal tem medo do movimento. Qualquer movimento, que possa levar à instabilidade. Por definição, democracia é o regime do conflito, da divergência e da disputa a céu aberto, nas urnas ou nos parlamentos. Mas aí é que está a contradição: o conflito assusta as democracias liberais contemporâneas porque não são apenas uma forma de governo.
     As modernas repúblicas representam, veiculam e articulam interesses de uma oligarquia de empresários, tecnocratas, militares, empreiteiras, corporações, organizações sindicais, fundos de investimento, fundos de pensão, monopólios e, sobretudo, dos próprios políticos. São “oligarquias liberais”, o que é sem dúvida um nome paradoxal.
    O povo sabe, em seu bom senso comum, dessa verdade -- isto é, que os políticos representam a si mesmos e a quem lhes garante recursos para sua eleição, suas ambições e a manutenção do seu estilo de vida.
   Os eleitores também têm a intuição de que seu direito de escolha é limitado ao dia da eleição e, mesmo assim, restrito aos candidatos previamente indicados pelos partidos existentes. Nos Estados Unidos, tentaram corrigir essa limitação inventando as eleições preliminares, as prévias para a seleção dos candidatos de cada partido. Mas, mesmo lá, os eleitores estão confinados a uma espécie de autocracia de apenas dois partidos poderosos e dominantes. Muitos cidadãos protestam simplesmente não comparecendo às urnas ou votando em branco e nulo. Entre nós, o voto é obrigatório e nem temos completamente esse tipo de protesto.
    Esses regimes são liberais, não recorrem à coerção e até preferem o protesto silencioso dos que negligenciam o voto. Os setores dominantes impõem uma espécie de meia-adesão indolente da população. Quase uma servidão voluntária. A indiferença, o recolhimento à vida cotidiana e aos negócios privados fazem parte do quadro mais ou menos confortável da sociedade de consumo. Quanto aos pobres, estão acostumados à sua condição e apenas às vezes se organizam em movimentos de base. Boa parte dos trabalhadores alienam-se nas empresas e no dia-a-dia. O funcionamento desses regimes é essencialmente não democrático ou apenas semidemocrático.
    O que parece ter havido no Brasil em 2013 foi uma rebelião espontânea de uma população aparentemente passiva, mas, como se viu, insatisfeita com essa distância da representação política na nossa Nova República. O abismo entre representantes privilegiados e representados insatisfeitos nunca ficou tão evidente.
     Os jovens saíram às ruas sob o pretexto inicial de impedir um aumento de centavos nos preços dos bilhetes do transporte coletivo, mas foram ganhando o apoio da opinião pública, engrossaram suas fileiras com camadas de trabalhadores, adultos de classe média, ampliaram seus temas e famílias clamavam por melhores serviços de saúde, educação e mobilidade urbana.
     Os manifestantes sofreram uma repressão violenta, alguns reagiram com igual agressividade, quebrando vidraças, bancos e lojas e até se soube de alguns saques. Houve feridos e até algumas mortes, uma delas de grande repercussão, pois foi a de um membro da imprensa, cujos patrões já vinham pedindo lei e ordem. Os Black Blocs foram presos e a repressão procurou justificar-se pelo uso da força da Polícia Militar que, por sinal, era um dos alvos dos protestos.
     O movimento foi ambíguo. Começou por iniciativas de estudantes e usuários de transporte público. Depois, foi recebendo adesões da classe média revoltada com os “privilégios dos pobres” nos governos Lula e Dilma. Imediatamente, líderes da oposição conservadora procuraram empalmar as manifestações e dirigi-las contra o governo, enfocando acusações de corrupção e o anticomunismo.
     Essa mistura de participantes sob o slogan genérico de combate à corrupção escondeu o sentido do movimento. O próprio Lula procurou minimizar o volume e as causas das manifestações, dizendo que o povo estava apenas “querendo mais”, depois de ter recebido o acesso ao consumo de massas e a integração ao mercado. De “barriga cheia” durante o período eufórico do lulismo, o povo estaria buscando melhores serviços e atenção.
      Muitos reduziram as explicações a fatores econômicos e diretamente sociais, inclusive quando se falou da classe média -- ela estaria apenas reagindo à ascensão dos pobres, à sua presença nos aeroportos e aos direitos trabalhistas das domésticas e outros trabalhadores. Deixaram de ouvir mais uma vez os slogans sonoros dos participantes: Reforma Política, Assembleia Constituinte, renovação do Congresso e das esferas de poder.
    O elemento essencialmente político desse fenômeno espontâneo de massas foi negado ou ignorado. Os próprios políticos não o perceberam, achando que tudo se resolveria nas eleições. Os petistas achavam que a vitória de Dilma bastaria; a oposição acreditava que a revolta havia amadurecido o eleitorado para uma vitória de Aécio Neves. Em parte, isso parecia e era verdade, mas não constituía toda a realidade.
     O antigovernismo das classes médias continuou, acionado pela oposição instalada, sobretudo, na mídia. A crise econômica o agravou, bem como os desvios de propósitos da presidente e a Operação Lava Jato dirigida quase exclusivamente contra o PT. Contudo, nas mais recentes manifestações contra o governo ficou evidente a crítica contra TODOS os políticos e a insatisfação com o sistema oligárquico de decisões.
    Mesmo a confusão ideológica de participantes das classes médias que pedem uma solução “manu militari” deveria ser entendida como um sintoma dessa doença da representação política.
    O que está em questão é a estrutura dessa Nova República surgida em 1985, cujo conluio entre empreiteiras, empresariado, políticos e o Estado tem excluído cada vez mais os cidadãos.
    A manobra para destituir Dilma é conduzida pelo mesmo sistema nos bastidores. Seus líderes esperam que, uma vez excluído o PT do poder, tudo voltará “ao normal”. Enganam-se. O PT ficará, sem dúvida, muito enfraquecido, mas a dinâmica implícita no interior das multidões permanecerá e pode até aumentar o seu movimento. O conflito não acabou.

   Nossos políticos ainda não se deram conta de que 2013 pode estar apenas começando. 

quarta-feira, 2 de março de 2016

COMO CURAR UM FANÁTICO?



                                                                           Reinaldo Lobo*

     O fanático é um virtuoso. Moralmente perfeito, um puro. Não quer saber de contaminação. Está acima do mal, é portador exclusivo do bem. Conhece a verdade, anda de nariz para o alto. Só disfarça quando teme que descubram suas certezas mais secretas. Sério, extremamente sério, não brinca. No máximo, é sarcástico com as falhas e fraquezas alheias. Condena o outro com muita facilidade, não tolera deslizes. Apresenta-se como juiz da humanidade. É um forte candidato ao terrorismo. 
     Nos anos 70, vários jovens assim pareciam livres e soltos, mas continham uma crença na purificação geral e foram parar nas Brigadas Vermelhas, nos Baader Meinhoff, no Setembro Negro e outros grupos. Conheci nessa época um casal que tinha a meta de educar ele próprio os filhos em casa, sem contato com as escolas instituídas, sem tomar Coca Cola ou assistir TV. Não conseguiram realizar sua utopia, é claro. Hoje, suprema ironia, um membro da dupla está na extrema direita, ostentando o mesmo brilho fanático, sangue nos olhos e a mesma superioridade ética e crítica dos tempos de esquerda guerrilheira.
     O fanatismo provoca exclusão entre extremos e estreiteza. Acho que uma boa receita de antídoto contra essa doença arrogante é fornecida por Amós Oz, esse excelente escritor israelense que já deveria ter levado o Prêmio Nobel, no seu livro recente, que acaba de ser traduzido pela Companhias das Letras: “Como Curar Um Fanático”.
     Dono de uma escrita fina e superior, de um senso de humor e de uma compaixão pelos seres humanos raros hoje em dia, esse sabra que passeia às quatro da manhã pelo deserto para curar as feridas causadas por uma era de terror e incompreensão, ri quando ouve verdades definitivas ditas por políticos de extrema direita em Israel ou líderes palestinos cegos pela crendice.
     Ri silenciosamente, diz ele, “como as pedras do deserto e as estrelas sobre o parque da cidade” quando um político usa palavras do tipo “para todo o sempre”, “por toda a eternidade”, “jamais, em um milhão de anos”, para descrever a percepção tola que tem do tempo.
     Esse é um modelo de linguagem e de visão generalizante, messiânica, que conduz ao fanatismo. Amós Oz propõe que se pare de falar em “guerra santa” para descrever o conflito entre israelenses e palestinos. Sugere que os dois lados se sentem a uma mesa para resolver a simples “questão imobiliária” que divide a região. Sim, porque o problema na Palestina é uma questão imobiliária, ainda que recheada de significados históricos, políticos e religiosos.
     O mais difícil é remover o vocabulário e seus significados inflacionados, a não ser que se mude a percepção e a perspectiva.  Para que qualquer solução seja possível é preciso um movimento psíquico de ambos os lados, que consiste em se perguntar o que o outro pensa e deseja, colocar-se no lugar do outro, na pele do outro.
      É impossível não se identificar com os argumentos humanos de Oz, ao afirmar: quando, depois do passeio matinal no deserto, “volto para casa, ainda antes do nascer do sol, preparo uma xícara de café, sento à minha escrivaninha e começo a me fazer perguntas. Não pergunto a que ponto está chegando o mundo, ou qual será o caminho certo a seguir. Eu me pergunto: “E se eu fosse ele? E se eu fosse ela? O que sentiria, desejaria, temeria e esperaria?  Do que teria vergonha, esperando que ninguém jamais soubesse? ”
       Para curar um fanático, sustenta ele, é necessário começar se colocando no lugar dele, considerar o outro como um igual, conhecer seus desejos e necessidades.
       Pessoalmente, identifico-me bastante com Oz, guardadas as devidas proporções, quando escreve:
       “Meu trabalho consiste em me pôr no lugar de muitas pessoas. Ou mesmo estar em suas peles. A força que me impele é a curiosidade. Eu fui uma criança curiosa. Quase toda criança é curiosa. Mas pouca gente continua curiosa em sua idade adulta e em sua velhice. Agora, todos sabemos que a curiosidade é condição necessária, até mesmo a primeira das condições, para todo trabalho intelectual ou científico. Mas quero acrescentar que em minha opinião a curiosidade também é uma virtude moral. Uma pessoa interessada é uma pessoa um pouco melhor, um progenitor melhor, um parceiro, vizinho e colega melhor do que uma pessoa não curiosa. Um amante melhor também”.
       Ao situar a curiosidade como um valor ético, Oz está apresentando o primeiro antídoto contra o fanatismo. O segundo melhor remédio é o humor. Fanáticos não possuem senso de humor e raramente são curiosos. O humor destrói as estruturas do fanatismo, e a curiosidade, diz ele, agride o fanatismo “ao trazer à baila o risco da aventura, questionando, e às vezes até descobrindo que suas próprias respostas estão erradas”.
       Ele sugere algo que vale não só para os indivíduos, mas para a sociedade. Sociedades alegres e curiosas podem ser menos fanáticas do que sistemas fechados e sisudos, geralmente baseados em crenças. As ditaduras não têm senso de humor.  Basta verificar como funcionam as extremas direitas, daquelas dos tempos de Pinochet, o nazismo, os regimes dos aiatolás, o Estado Islâmico e as ortodoxias.
        Comparem o clima “decadente” das democracias europeias, por exemplo, com a Coréia do Norte. O humorismo dos ditadores é involuntário. São ridículos em sua prepotência. Chaplin ajudou os Aliados a ganharem a Segunda Guerra ao pintar com seu humor cheio de humanismo o regime e a personalidade de Hitler, desmontando-os com mais eficácia do que qualquer discurso ideológico.
        O pensar, que está aliado obviamente à curiosidade, deve ser acrescentado aos antídotos contra o fanatismo. A racionalidade, que instaura as dúvidas, não deve ser desprezada como um remédio eficiente. Um bom raciocínio ofende, dizia Stendhal. Os arrogantes e estúpidos se irritam com o pensamento, mas sucumbem diante dele. Podem ser conduzidos a uma maior flexibilidade e a soluções negociadas para situações que parecem extremas e impossíveis de compromisso.
         O Brasil assiste neste momento a uma ascensão do fanático. Ele cresce com a onda de moralismo e de radicalização que vem com essa guerra jurídica pela limpeza política. A imitação cabocla da Operação Mãos Limpas italiana traz com ela, além de alguns atos de justiça, a figura do fanático vingador e perseguidor. O País está cheio de vestais e de almas puras. Esse é um ovo da serpente.

         Até a Bíblia nos adverte contra a “ira dos justos”, pois é a pior de todas. A Inquisição da própria Igreja, a caça às bruxas, o macarthismo foram momentos históricos que tiveram os seus Savonarolas da superioridade moral e da seriedade. Todos escondiam propósitos de poder puro e simples. Desconfio que, às notícias das gazetas sensacionalistas e às sentenças dos juízes da honra alheia, seja preferível ler o heterodoxo Amós Oz. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O CHARME CONSERVADOR

                             
                                    
                                                         Reinaldo Lobo
        O pensamento conservador namorou o autoritarismo fascista durante o século XX. Agora também. Mas é mais um flerte distraído, um jogo cheio de disfarces. A direita está pop e se pretende pós-moderna, faz-se passar por democrática, mas seus argumentos, seus truques dialéticos expressam o fundo de sua ideologia, sempre o mesmo.
        O truque mais frequente é parecer que representa as Luzes contra a escuridão da barbárie. Todos os que não compartilham suas doutrinas estão mancomunados com o terrorismo muçulmano ou com o totalitarismo que afundou com a União Soviética. Os mesmos intelectuais que justificam as ditaduras militares dos anos 60/70/80 na América Latina, hoje denunciam qualquer elevação de impostos ou medida estatal como “totalitária”.
      O pensamento conservador quer passar por tolerante e chama as cotas para o resgate da opressão racista de...racismo ao contrário. A defesa do meio ambiente, a ecologia, o feminismo, o ensino de Marx ou de Foucault nas escolas são formas de controle, de constrangimento das mentes e tecnologia de imposição de valores à sociedade.
      Alguns intelectuais que nunca protestaram contra a proibição de livros “subversivos”, a expulsão de professores de suas escolas, a tortura e a morte de estudantes sob o autoritarismo, são os atuais paladinos do “livre pensar”.
      Não enganam ninguém. O seu pensamento revela cinismo. Seus ídolos são os filósofos mais pessimistas, como Cioran, e “pós modernos”, como John Gray, para os quais a “natureza humana” é uma causa perdida e não existiria o progresso histórico. Não se dão ao trabalho sequer de reivindicar Hobbes, cuja obra é mais complexa do que parece aos ideólogos desse tipo e que já foi usada no passado, contudo, para justificar o poder discricionário do Estado.
     Para os conservadores, a “natureza humana” --se é que isso existe--, é invariavelmente egoísta, violenta, incapaz de incluir o outro, belicista, entregue a impulsos inconfessáveis e assassinos. Os ideólogos nazistas tinham essa visão negativa, daí idealizarem um “guerreiro” que subjugaria os perdedores dessa luta sem trégua pela supremacia. O modelo de ser humano desses pessimistas é o do individualista sedento por lucro, preocupado com a competição e o sucesso. O resto é “utopia”.
     Poderão perguntar: Freud não pensava assim? Não. A psicanálise não pode ser usada nesse sentido unidimensional e redutor, por ignorância ou deformação. Freud falava de conflitos subjacentes aos seres humanos, de amor, de ódio, de gula e contenção, de narcisismo e social-ismo, que não se resolveriam numa só direção e nem se limitariam a uma expressão automática de uma “natureza humana” caricatural.
    Quando esses ideólogos citam Freud e a psicanálise em geral é para mutilá-la em benefício da manutenção de um esquema que se pretende baseado na rivalidade e competição. A figura humana que traçam é a de um indivíduo cobiçoso e invejoso, frequentemente projetada fora e identificada com o adversário, isto é, com aquele que critica o capitalismo.
    O sonho do operário tem de ser invariavelmente o de se tornar um capitalista. E um socialista seria, na melhor hipótese, um iludido e, na pior, um candidato a ganhar dinheiro e poder.
   O pensamento conservador vê a sociedade organizada apenas por idéias e qualidades abstratas. Assim, quando alguém propõe uma crítica da própria sociedade é porque quer controlá-la ou destruí-la. Não é por acaso que fascistas e totalitários em geral queimam e proíbem livros. Acreditam que neles está tudo o que determina a vida social e política. Com esse fetiche das idéias, homenageiam involuntariamente os autores. É que desprezam a prática e não enxergam nada no trabalho, na vida  material e na estrutura econômica de uma sociedade que possa ser basicamente determinante.
    Os conservadores atuais são contra qualquer controle legal ou moral das ações que possam ferir a natureza ou mesmo os seres humanos. Impedir a discriminação, por exemplo, seria para eles, uma forma impositiva de atitude controladora. Impedir pela lei que os homens batam nas mulheres ou que homossexuais sejam ameaçados, constituiria uma forma de totalitarismo e de intolerância.
    Essa inversão dialética proposta pelos conservadores ignora que a democracia, desde a Grécia antiga, é o regime da limitação. Regula e limita o poder, as instâncias e as ações. Democracia significa autogoverno e este impõe a si mesmo limites. É por isso que a direita não entende que é preciso impedir a liberalidade de bater numa mulher ou de escravizar alguém mais frágil, seja por raça, nacionalidade ou circunstância.
   O filósofo Cioran sugeria que não há determinações livres de contingências, isto é, azares do acaso, mas é possível perguntar: alguém pode ser humilhado, preso ou torturado pela contingência de ter nascido com a cor, a religião ou a sexualidade errada?

    A democracia exige no mínimo, se não uma moral particular, o respeito público à lei.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

TEORIA ENCARNADA

      A psicanálise universitária predominantemente teórica, com raras exceções, carece da dimensão da experiência humana. Falta-lhe a carne viva da clínica. Sobra intelectualização.
       Já vi muito teórico pontificar sobre Freud, Lacan, Klein, Bion e Winnicott sem considerar ou fazer qualquer referência a um único caso sequer. É possível, mas limitado.
       Também existe, é verdade,um empirismo clínico cego, vazio de qualquer pensamento.É uma prática randômica e pobre.Às vezes, surgem trabalhos cheios de citações, mas incoerentes e inconsistentes.
       Desconfio que a psicanálise seja uma práxis criativa, a partir, portanto, da experiência efetiva e singular do consultório. Não é mimética ou reprodutora. É feita de matéria sensível. Uma poiésis.
       Parece que Freud e os outros elencados acima pensavam assim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A AUTOCRÍTICA DAS ESQUERDAS

                             
                                                       
                                                                       Reinaldo Lobo*


    Existe um tipo de pensamento binário que divide o mundo entre bons e maus, bonitos e feios, inteligentes e burros, heróis e anti-heróis,  dogmáticos e relativistas, pobres e ricos, certos e errados,  isto ou aquilo. Essa simplificação é um dos hábitos mais arraigados e  ativos da nossa civilização.  Até mesmo alguns dos intelectuais mais sofisticados entre nós cometem esse vício do reducionismo. O artigo do professor de filosofia Vladimir Safatle, da última sexta-feira na Folha de São Paulo, é um exemplo de raciocínio baseado no modelo "ou isto ou aquilo", em que pesem o brilho de linguagem e a inteligência de sempre.
     Esse é um autor que prima por procurar ver na realidade "o que ninguém mais viu". Isso pode ser um mérito quando a intenção atinge seu objetivo. Muitas vezes, o pensador e publicista mais articulado do partido de Luciana Genro acerta na mosca. Sua crítica às concessões sucessivas do PT ao pólo mais conservador do governo de coalizão de Dilma tem sido correta. Mas  negar, agora, a existência de uma onda conservadora não só no Brasil como na América Latina e em outras partes do planeta, é o velho vício dessa dialética simplificadora.
     Sua explicação é cheia de clareza e distinção : não é que exista uma onda forte conservadora, mas o que está ocorrendo é a "desagregação" do "campo político das esquerdas". Por que não podem existir ambas as realidades, simultaneamente, uma implicando a outra?
    A falta de força da "onda de esquerda" -- mais além de sua própria desagregação-- não se deveu também a uma re-ação coordenada dos conservadores diante do impulso das mudanças sociais implementadas por governos populares na última década?
     A resposta para esse viés interpretativo radical pode ser encontrada na ambigüidade  desse pensamento  diante dos governos de esquerda que os intelectuais classificam de "populistas", repetindo o rótulo aposto pelas forças conservadoras.
    O desprezo pela política do Brasil real e o elitismo à francesa dos salões acadêmicos, impõem um modelo analítico, selecionando "isto em lugar daquilo". Creio que foi Darcy Ribeiro quem chamou a atenção de todos para esse "udenismo de esquerda", incapaz de uma visão mais complexa.
    É verdade que a esquerda ainda não tem uma alternativa adequada à solução revolucionária clássica de ocupação do poder, recaindo na velha proposta de "frente ampla" quando está na situação de administrar economias capitalistas. A dicotomia "revolução versus reforma"  permanece predominante no imaginário esquerdista. Optar pelo fantasma de uma revolução desejada é a opção mais fácil. Inventar novas formas de ação e teorizar dialeticamente sobre isso é que está difícil.
      A autocrítica de fim-de-ano do ministro Jacques Wagner, atual articulador político de Dilma, dizendo que o PT e o governo cometeram erros e se "lambuzaram" com o poder, é uma prova cabal da inexperiência da esquerda na condução da situação típica da virada de século, quando o paradigma das revoluções clássicas, com barricadas, guerrilhas e tomada de palácios, caiu em desuso.
     Imitar revoluções antigas e mesmo novas, como a cubana, revelou-se um caminho simplificador e equívoco. Os conservadores já haviam aprendido tudo sobre a forma de se  prevenir contra elas. Restava a rota das eleições e de ocupar governos democráticos do tipo liberal, preenchendo um espaço outrora reservado aos sociais democratas e comunistas da chamada "linha russa", ultra conciliadores nos países ocidentais.
    Encostar-se cada vez mais à esquerda pode ser uma solução cômoda e confortável, dando a autores radicais a ilusão de que estão numa posição prescritiva superior. Safatle está correto em admitir que há uma desagregação no campo das esquerdas, mas equivocado em se limitar a ver só esse ângulo , replicando os mesmos argumentos da extrema esquerda e dos conservadores. Em parte, isso significa deslizar da política para o campo moral, perdendo a perspectiva das condições reais da política brasileira. Achar "culpados" não vai resolver o problema político.
     O sentido da autocrítica do ministro Wagner pode ser duplo: primeiro, dar uma resposta conjuntural e tática às oposições, apaziguando mais uma vez os conservadores e os setores das classes médias revoltados com o governo, ao enfocar no PT a fonte dos "erros"; segundo, expressar a real perplexidade do governo petista por seus próprios desacertos e admitir que há inexperiência e desagregação no campo da esquerda. 
     Não seria necessário apontar as dificuldades da esquerda em administrar o capitalismo e, ao mesmo tempo, buscar mudanças. O próprio governo reconhece isso. Mas as nuances , os avanços e recuos dessa experiência institucional, as lições da luta intensa com os conservadores em ascensão na crise, o papel dos movimentos sociais, da mídia, e a própria mutação interna da composição social do PT -- tudo isso se perde quando a crítica se concentra na constatação de um fracasso ou na condenação peremptória de um partido.
    A tese simplória de atropelar as alianças com setores das classes dominantes, propalada pela extrema esquerda em geral, revela-se pobre, na falta de oferecer uma alternativa. Assim como não parece ser suficiente a própria política de alianças -- como se dá no Brasil e na Grécia, por exemplo, onde a direita econômica é chamada a "cooperar".
        O ponto central ao qual dirigir a atenção não é o clássico "bloco hegemônico gramsciano" -- no fundo, uma política de alianças --, mas a necessidade de criação de novas estratégias, novas formas de institucionalização  e de organização da sociedade,  ainda que dentro do capitalismo. Quer dizer : um olhar para a chamada sociedade civil e sua reestruturação. Talvez uma busca não apenas de poder político, mas da constituição de forças "debaixo para cima", envolvendo novas formas de organização da população. A espontaneidade das manifestações de 2013, por exemplo, pedia isso.
        Achar alternativas para provocar a mutação na sociedade real -- não como ela "deveria ser", mas partindo do que se apresenta-- exige aprender com a experiência. O procedimento de "ensaio e erro" do governo petista poderia servir como acúmulo de aprendizado e não ser simplesmente descartado. Poderia significar enxergar nuances e descobertas onde muitos só vêem a platitude de opções de curto alcance, como:  "imitar a extrema esquerda" ou "imitar a direita conservadora"?

        Poderia representar uma visão do que escapou ou se perdeu no processo de governar o País . Mais do que isso,  uma análise complexa do vasto material para o uso de um instrumento fundamental de que a esquerda carece neste momento -- a imaginação política.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A GUERRA PELO PODER


  
                                                                    Reinaldo Lobo*

       Foi um norte-americano, Thomas Skidmore, quem estudou o autoritarismo brasileiro a partir do esquema: "os que estão dentro" e os que "são de fora". Esse cientista político viveu vários anos no Brasil, acompanhou todo o período ditatorial e também o advento da Nova República, e descobriu um sistema inteiro de poder implícito, informal, quase invisível, mas muito operativo entre nós. A fórmula é interessante para entender nossa atual - e grande- crise política.
      Ao longo de nossa história desde, pelo menos, o Império, Skidmore detectou um bloco interno da oligarquia dominante, que impede solavancos  e instabilidade no seu domínio. E auxilia sua recuperação das crises.Esse grupo é representado de forma variável por diferentes partidos e líderes. Na República Velha, antes de 1930, eram os governadores provinciais e presidentes nacionais sucessivos sob a égide dos barões do café e fazendeiros, aos quais foram acrescidos, aos poucos,os emergentes industriais e, claro, os banqueiros.  O grupo dominante "de dentro" eram os políticos mineiros e paulistas, a fórmula do "café com leite".
     O gaúcho Getúlio Vargas, revolucionário de 30, veio "de fora" ao lado de gente como o convertido ao comunismo Luiz Carlos Prestes. Ambos, além da burguesia e da pequena burguesia ascendentes, trouxeram a questão do trabalho e dos trabalhadores.
   Getúlio, que pertencia a um filão da oligarquia rural, aliou-se  a setores "de dentro", mas surrupiou dos comunistas e socialistas a bandeira do trabalho e criou o "trabalhismo", inspirado em parte no fascismo e também na social democracia européia. Procurou conciliar o empresariado, então ascendente, e a classe trabalhadora, mostrando um traço sociológico característico do populismo. Populismo, aliás, que é uma forma de dominação e não de transformação.
     O trabalhismo foi apenas tolerado pelos  "de dentro" do núcleo férreo da oligarquia dominante. A presença de Getúlio foi combatida com vigor por várias frações oligárquicas, durante décadas. E todos conhecem a história que culminou  no "mar de lama" criado pelos militares e Carlos Lacerda na República golpista do Galeão, com processos investigativos que inspirariam os sumários IPMs da Ditadura Militar, que foi o Estado Novo udenista.
     Após a morte de Getúlio, o bloco dominante "de dentro" , constituído politicamente pela UDN, o oportunista PSD mineiro e vários partidos satélites, não parou de perseguir o caminho do golpe contra qualquer resquício de trabalhismo. Até o liberal Juscelino Kubitschek, ao aliar-se a João Goulart no caminho da presidência e aos militares nacionalistas que impediram o cancelamento de sua posse, foi posto para fora do bloco dos "virtuosos" conservadores brasileiros -- que nada tinham de virtuosos em suas ações entre amigos no interior de seu núcleo.
      O trabalhismo e a tomada de posição pelos trabalhadores passaram a ser o sinal maldito que deixava "de fora" das elites oligárquicas qualquer político ou partido. Por outro lado, os trabalhistas do PTB e alguns do seus aliados circunstanciais,  o populismo ademarista, os comunistas e outros, cuidaram de formar seu próprio bloco. Chegaram ao poder com Jango em meio a uma crise violenta, provocada pelo populista que se aliara aos poderosos "de dentro", Jânio, e que tentou um golpe bonapartista, acima das classes e das diferenças ideológicas. Queria-- megalomaniacamente, diga-se-- ser uma espécie de Nasser ou de Nehru, líderes autoritários "neutralistas" na Guerra Fria. Jânio fracassou porque emitiu uma mensagem ambígua para os "de dentro" e os "de fora" do sistema dominante.
      Quando Lula foi eleito em 2002, acenou com concessões políticas e econômicas para os poderosos, a fim de passar por dócil o seu "novo sindicalismo", uma versão pós-ditadura e pós-modernista do trabalhismo. Lula começou combatendo o peleguismo getulista, estava ,portanto, com autoridade para negociar não só com o patronato, mas com as raposas políticas herdeiras do bloco anti-trabalhista, como os do DEM, do PMDB e -- last but not...-- a nova face da UDN, o PSDB.
      Lula tinha plena consciência de que fariam de tudo para varrê-lo para fora do bloco de poder, assim como sua sucessora, Dilma, pelos mesmos meios da desmoralização e dos IPMs. Agora, ao modo da Nova República.
       A caça a Lula e ao PT  foi adiada uma década em função do sucesso do modelo econômico duplo, de inclusão social e de crescimento econômico, que deixou satisfeitos a burguesia, as multi, os ruralistas e os banqueiros. Somadas às práticas "informais" rotineiras no sistema dos "de dentro", adotadas pelo PT para ser aceito, sobreviver e fazer sua política dupla de mudança e acomodação, o trabalhismo "lulopetista"  (como o chamam seus inimigos) até que tem durado bastante, com manobras cada vez mais conciliatórias.
      O PT aderiu, de várias formas, ao sistema que não o quer e adotou todos os métodos de ação da rotina de relação incestuosa entre poder político e empresariado, sobretudo desde a Ditadura Militar, que, neste sentido, prossegue na Nova República.
      A crise política, agravada por uma crise econômica real e pelo terrorismo econômico do empresariado ameaçado pelas investigações apoiadas por Dilma, que lhes tirou a "imunidade" histórica, chegou ao seu ponto máximo, ao paroxismo. A onda conservadora latino-americana (e norte-americana) que avança contra todos os governos populares da última década empurra ainda mais o governo Dilma para a defensiva na guerra de vida e de morte.
     Nos últimos dias, os combates se aguçaram, Dilma tenta as últimas táticas, chamou Ciro Gomes, mais ativo e agressivo que seus ministros, para se aconselhar e partiu para o ataque contra a tropa de choque de Eduardo Cunha e seu chefe no PMDB, Temer. Não vai ser fácil, a imprensa cuida para não deixar de enfocar as denúncias em Lula e pedir que a classe média participe nas ruas. Mas a população parece enojada também com os métodos dos representantes do bloco hegemônico dos "de dentro", que se tornaram públicos demais. A guerra não é moral, mas política. Só que a classe média está perplexa com o que tem descoberto. Pode estar dividida politicamente por isso.
      O golpe, se consumado, virá por cima partindo  em bloco dos "de dentro" da oligarquia neoliberal, incluída aí a mídia conservadora.Foi como aconteceu no Paraguai, ainda que mais sorrateiramente e nas suas proporções. Nossa oligarquia tem vergonha de seguir o "modelo" do Paraguai -- que dominam, estão imitando e,ao mesmo tempo, desprezam.

    Só não somos parecidos com o Paraguai por termos um movimento social, sindicatos, militâncias e  lideranças no Nordeste suficientemente fortes e grandes para reagir a um golpe...paraguaio. Quem viver, verá.